31
de
março
Oh Senhor muito obrigado por meu papai querido
"Quando foi que o Sr. passou a virar a cabeça ao ouvir uma criança gritar Pai!, assim, como se fosse lhe chamando?" (é que eu sou a primogênita)
Ele disse: "ah, foi rápido, eu tava ansioso pra ouvir mesmo…"
Quem me conhece sabe a ligação que eu tenho com meu papi. E foi por causa de uma coisa que aconteceu entre nós essa semana (e que ainda agora me faz encher o olho d’água - aff, vou contar qts vezes eu uso essa expressão aqui, hehe), que eu realmente me emocionei com este email. Fiquei imaginando, meu pai, mesmo não sendo cristão, tenho certeza de que teve um pensamento parecido com este, assim, ao seu modo, quando me viu a primeira vez, e quando me viu no meu segundo nascimento (longa história, um dia conto).
Também pensei em todos os PAPAIS que conheço, que também ficaram assim com seus filhotinhos…ai, ai que coisa mais lindaa…
Antes, eu e MEU PAI (que minha mãe tira sarro que a gente lá em casa, os três irmãos, só chamamos ele assim) - dos 3 que tenho, o homem mais importante da minha vida, em alguns momentos da nossa história de amor…desde quando eu apareci até hoje, hehe. (brigado pra KK q fez a montagem, apesar de me chamar de fresca)

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E a história da qual to falando tá aqui. Chama-se CRÔNICA DE UM NASCIMENTO ANUNCIADO. A última parte é a mais LINDA… que eu achei, claro.
As circunstâncias desse parto em especial ajudaram bastante. Minha esposa é enfermeira obstetra, portanto conhece muito bem as benesses do parto normal em relação à cesárea. Li que no Brasil, entre 10 e 20% dos partos são normais, ao passo que em países desenvolvidos é justamente o contrário, as cesáreas são a exceção. Mas nosso primeiro filho havia nascido de uma cesárea, pelas circunstâncias daquela gravidez, então a opinião geral era de que seria impossível Davi nascer por parto normal. Apenas a própria Tatiana e sua médica acreditavam o contrário.
Atingidas 41 semanas e dois dias de gestação, a médica optou por induzir o parto, já que as contrações continuavam irregulares. Chegamos ao hospital às 7h00 e Tatiana foi submetida a uma substância chamada ocitocina. As contrações ficaram mais fortes, mas a dilatação ainda era pequena e pequena ficou até quase as 15h00, quando ela pediu para receber a analgesia. Isso se revelou um santo remédio, não apenas porque inibiu exclusivamente a dor, deixando todas as demais sensações intactas, como porque em 40 minutos a dilatação passou de 3 para 7 centímetros. Uma descarga elétrica tomou conta da equipe, que começou a se mexer. Aquilo era uma indicação clara de que o parto normal poderia acontecer, contra a opinião velada reinante até então.
Foi nesse momento que eu comecei a devorar descontroladamente um ovo de páscoa que havia levado de propósito. Havia ouvido dizer que é bom ingerir bastante glicose para não correr o risco de desmaiar.
Passaram-se mais quinze minutos e a dilatação já estava em mais de 9 centímetros. Agora o medo era de que ele nascesse antes de a médica, presa no trânsito, chegar.
Ela chegou, paramentou-se, preparou-se o ambiente na maior agilidade e, cinco ou seis contrações depois, com Tatiana fazendo bastante força, fui finalmente apresentado ao rapazinho que até então eu só conhecia das imprecisas imagens do ultrassom e das lombadas que ele fazia na barriga da mãe. A opinião geral foi de que ele era lindo e eu nem precisava de tanto apoio para concordar. Imediatamente começou a procura pelas semelhanças do pai ou da mãe que na verdade pouco me interessavam. Poucos minutos depois deram-no em minhas mãos para dar o primeiro banho nele, filmado pela própria mãe, que estava ótima, na cama ainda.
Uma semana e meia depois, com Davi no meu colo, embalando-o suavemente como ele parece preferir, leio ainda nos seus minúsculos traços a mesma mensagem escrita por seu Criador: Eu vou continuar a fazer milagres na sua vida. E eu respondo: eu vou continuar a confiar.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurélio Brasil - 30/03/07


