31
de
março
Teus filhos sabem que não falharás
Se entendi bem, para respondê-la deveríamos pensar em algo que é tido como uma grande virtude mas que talvez não seja tanto assim, no nosso entender. Bem, influenciado pela leitura de II Tessalonicenses 3:7, respondi a esta pergunta com "atitude, ou personalidade".
No verso mencionado aí, Paulo insta com os tessalonicenses para serem imitadores dele, a mesma idéia que ele apresentou duas vezes na sua primeira carta aos coríntios (11:1 e 4:16). Imitem (a mim), diz ele, porque eu imito (a Cristo).
Nosso mundo valoriza muito a atitude e a personalidade. A pessoa tem que ser diferente, se não, passa despercebida. A pressão por destacar-se acaba sendo tão grande que os que não têm saída (por falta de talento) optam por mostrar toda sua "personalidade" chocando os demais, demonstrando desprezo por valores antigos. Ou simplesmente fazendo uma tatuagem.
Na exaltação da "atitude", imitar não é bem vindo.
Tolstoi começa sua obra prima, Ana Karenina, afirmando que "todas as famílias felizes são iguais. As tristes são tristes cada uma a sua maneira" (se é que a memória não me falha). De fato, existe uma certa uniformidade na felicidade. As diferenças aparecem só quando chegamos bem perto. Em todas as famílias felizes existe, por exemplo, respeito. O mesmo princípio pode ser extrapolado para além do círculo familiar: as pessoas felizes são, no geral, muito parecidas. As pessoas que imitam a Cristo podem ter milhões de diferenças, mas a promessa dEle é que algumas coisas terão em comum: paz e uma nova capacidade para amar e agradecer constantemente.
Não há, portanto, virtude na personalidade como um fim, da mesma forma que não há demérito na imitação, desde que o modelo imitado tenha virtude.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurélio Brasil, 23/02/07

