24
de
abril
Mãezinha
Fico pensando em como deve ser diferente ser mãe hoje. As mães de hoje certamente não sentem essa diferença pois tornam-se mães dentro de um contexto que já faz parte do seu dia-a-dia e, por isso, já estão adaptadas. Mas podem comparar dados e a comparação, mesmo superficial, acusa a diferença.
Outrora elas reinavam sobre os filhos quase que soberanamente e não precisavam gastar tempo com eles para comprovar se suas crenças eram melhores do que os conceitos apresentados através das inúmeras opções de programas de televisão aberta ou por assinatura, Internet, emissoras de rádio e suas músicas para todas as ideologias e sentimentos, diversidade de filmes nos cinemas, revistas e jornais para pensamentos de todos os gostos ou berçários e escolas de diversas linhas de pensamento. A diferença na diversidade de meios e na liberdade de expressão reduzia suas preocupações educacionais e seus filhos não cresciam diante de tantas alternativas de informação e suas conseqüentes influências, boas ou más.
As cidades eram menores. O stress da insegurança, do trânsito e do barulho, não existiam e a solidariedade dos familiares e vizinhos, durante a gravidez e após o parto, era maior, afetiva e operacionalmente. Esse fato reduzia os efeitos nocivos do machismo, ainda presente, daqueles maridos que, por preconceito inclusive de suas genitoras, não foram educados para dividir os deveres domésticos. Elas não enfrentavam imensas filas nos hospitais nem se preocupavam com possíveis disputas jurídicas com Planos de Saúde. Mas também, não contavam com o conforto que as maravilhas da tecnologia médico-hospitalar atuais oferecem.
A maioria não trabalhava fora de casa e, por isso, não tinham a preocupação que as de hoje têm, em torno da manutenção ou não do emprego, depois dos 120 dias constitucionais de licença. Mas também não tinham autonomia econômico-financeira e viviam a mercê dos gostos e desgostos de seus maridos. E trabalhando em casa, não contavam com tantas opções de eletrodomésticos e de alimentos quase prontos.
O corpo não era tão cultuado nem a estética tão supervalorizada; a pressão social em torno dos traços físicos era menor. Mas não havia tantas alternativas cosméticas ou de academias de ginástica para, após o parto, recuperar a aparência que tanto bem faz ao seu ego e aos nossos olhos. A relação com seu corpo era diferente: quase não existia a possibilidade de optar entre ser ou não ser mãe. O domínio menor sobre seus corpos reduzia seus espaços sociais de ação, tornava-as escravas dos desejos de seus maridos e, nem sempre, a maternidade ocorria no momento desejável. Porém, ser mãe precoce, emocional e economicamente, era exceção, uma vez que o controle externo de seus movimentos era mais intenso.
As diferenças entre ser mãe hoje e ter sido outrora certamente são infinitas. Se hoje é melhor ou pior, elas podem julgar. Uma coisa porém é certa: tanto outrora quanto atualmente num ponto elas são iguais: na alegria de ser mãe, no afeto, na dedicação e na ternura que demonstram por seus filhos. E como é bom ter passado por seus braços e neles poder voltar e sentir-se amado, como se fôssemos ainda crianças – o que todos somos ou deveríamos ser em algum grau - mesmo depois de adultos.

